POÉTICA DAS METAMORFOSES

O uso, as relações e as transformações dos materiais são portas de entrada no trabalho de Juliana Brandão. O seu processo criativo tem como um de seus fundamentos a maneira como ela se relaciona com o seu interior e com o mundo circundante, construindo uma poética das metamorfoses.

Suas obras constituem uma interpretação do ser no universo que ultrapassa a imitação aristotélica ou a representação proposta pelos “ismos”. Consolida-se um mergulho na conceção do ato do fazer como um instaurar de possibilidades e conexões em constante mutação que se cristalizam na recepção do observador.

Memórias afetivas, vivências e experiências são levadas para um lidar com suportes e técnicas que criam situações não declarativas ou narrativas, mas que demandam do observador uma participação ativa no processo interpretativo, estimulando a abertura de caminhos de percepção plástica.

Há, na consecução dos trabalhos, uma mescla entre a emoção do estopim da ideia com a racionalidade da produção, passando pela escolha dos materiais que resulta na obra pronta. A poética criativa se dá no processo de seleções, forma de montagem e no acabamento, conduzindo a uma manifestação que gera interrogações e traz propostas visuais instigantes.

Oscar D'Ambrosio é Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura,

Mestre em Artes Visuais, jornalista e crítico de arte.